As últimas semanas têm testemunhado múltiplas ações de protesto das populações, com centenas de participantes, contra o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Ações organizadas, seja por órgão autárquicos, seja pelo PCP e a CDU, como são exemplo Canha (Montijo), Lavradio (Barreiro), Sobreda (Almada) ou Teixoso (Covilhã).

Foi anunciado que, com o plano de reestruturação da CGD, a administração conta encerrar cerca de 200 agências espalhadas pelo País. Para já, foram identificados 61 balcões da CGD no documento enviado pelo presidente do conselho de administração do banco público, Rui Vilar, ao presidente da comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da CGD. Das 61 agências que a CGD prevê encerrar, 18 são na área da Grande Lisboa, 15 a norte, 15 a sul e nas regiões autónomas e 13 na zona centro, segundo a lista divulgada em março.

Segundo informação dada ontem por Paulo Macedo, a CGD já pediu autorização ao Banco de Portugal para ter um serviço móvel de balcões, com carrinhas que vão a zonas rurais e com populações envelhecidas prestar serviços bancários. Resta saber qual será o futuro dos trabalhadores. 

Perante esta situação, as populações exigem a manutenção do banco público. O encerramento de balcões da CGD está a abrir espaço para os concorrentes privados. Num comunicado conjunto emitido ontem, a Freguesia do Sado e as Uniões de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas; Charneca da Caparica e Sobreda; Laranjeiro e Feijó; Barreiro e Lavradio, rejeitam qualquer entendimento para a instalação de entidades bancárias privadas nas suas instalações ou com o seu apoio.

A Assembleia Municipal de Peniche votou uma moção contra o encerramento do balcão de Atouguia da Baleia. No texto refere-se que a decisão representa «um ataque ao desenvolvimento económico e um desrespeito aos clientes da CGD» e traz «dificuldades acrescidas aos cidadãos com menos recursos, com dificuldades de mobilidade e de transporte».