No próximo dia 30 de Junho, pelas 10h30, os municípios da Área Metropolitana de Lisboa reúnem-se no Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, em Lisboa, em protesto contra a criação do novo sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento de Lisboa e Vale do Tejo. A decisão foi tomada na última reunião do Conselho Metropolitano, realizada no dia 18 de Junho. 

O decreto-lei 94/2015, de 29 de Maio, estabelece a criação deste novo sistema ao mesmo tempo que constitui a empresa Sociedade de Águas de Lisboa e Vale do Tejo, SA (ADLVT), atribuindo-lhe a competência da exploração e gestão do sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento de Lisboa e Vale do Tejo.

De acordo com o Conselho Metropolitano, a existência de sistemas multimunicipais que interfiram nos "sistemas de baixa" que são atribuições das autarquias é incompatível com os princípios constitucionais da autonomia local, da descentralização territorial e da subsidiaridade da intervenção do Estado face às autarquias locais.

Questiona-se a legitimidade do Estado em "expropriar" os serviços públicos de abastecimento de água e de saneamento dos municípios envolvidos sem fundamentar essa obrigatoriedade, forçando a transferência de competências para a gestão de um sistema multimunicipal. O interesse público está também em causa porque, defende o Conselho Metropolitano, as tarifas podem aumentar dada a revisão prevista no final do período de convergência reflectido em cinco anos.

Na mesma reunião ficou ainda decidido dar apoio jurídico a todos os municípios da Área Metropolitana que decidam interpor processos cautelares com a finalidade de impedir a constituição formal da empresa ADLVT, no dia 30 de Junho, conforme previsto no diploma.